Foi um dos primeiros cartunistas brasileiros, o mais importante artista gráfico do Segundo Reinado. Sua carreira teve início quando estouravam os primeiros combates da Guerra do Paraguai (1864) e prolongou-se por mais de quarenta anos. Em seus últimos trabalhos, testemunhou a queda do Império e a consolidação da República oligárquica.
Nascido na cidade de Vercelli na Itália, no dia 8 de abril de 1843, Angelo Agostini viveu sua infância e adolescência em Paris, e em 1859, com dezesseis anos, foi para São Paulo com a sua mãe, a cantora lírica Raquel Agostini.
Em 1864 deu início à carreira de cartunista, quando fundou o Diabo Coxo, o primeiro jornal ilustrado publicado em São Paulo, e que contava com textos do poeta abolicionista Luís Gama. Esta publicação, apesar de ter obtido repercussão, durou pouco, sendo fechada em 1865.
O artista lançou, no ano seguinte (1866) O Cabrião, cuja sede chegou a ser depredada, devido aos constantes ataques de Agostini ao clero e às elites escravocratas paulistas, e mais uma vez a publicação não vingou, falindo em 1867.
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O Brasil, terra de Santa Cruz
E uma cruz cada vez mais pesada! |
O artista mudou-se para o Rio de Janeiro, onde prosseguiu desenvolvendo intensa atividade em favor da abolição da escravatura, pelo que realizava diversas representações satíricas de D. Pedro II.
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| Caricatura de D. Pedro II |
Neste período colaborou, tanto com desenhos quanto com textos, para os periódicos O Mosquito e Vida Fluminense. Em 30 de Janeiro de 1869, Agostini publicou em Vida Fluminense os desenhos de Nhô-Quim, ou Impressões de uma Viagem à Corte, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e uma das mais antigas do mundo.
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| Impressões de uma viagem à Corte |
Em 1 de janeiro de 1876, fundou a Revista Illustrada, um marco editorial no país à época. Nela criou o personagem Zé Caipora(1883), que foi retomado em O Malho e, posteriormente, na Don Quixote. Este foi republicado, em fascículos, em 1886, o que, para alguns autores, foi a primeira revista de quadrinhos com um personagem fixo a ser lançada no Brasil.
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| Quadrinhos de Zé Caipora |
Uma vida conturbada
No Rio de Janeiro o artista, já casado, se envolveu em escândalos ao se tornar amante de sua aluna, Abigail de Andrade, natural de Vassouras, no Rio de Janeiro.
Abigail foi uma artista promissora, única mulher a receber uma medalha de ouro por trabalhos expostos no Salão Imperial de 1884, recebeu elogios por parte dos críticos da época.
O relacionamento amoroso, a gravidez e o nascimento em 1888 da filha do casal, Angelina, causaram um grande escândalo na cidade e os obrigaram a partir para Paris em outubro daquele ano.
Na França um novo drama envolveu Agostini: em 1890 o segundo filho do casal, Angelo morreu ainda bebê e Abigail também veio a falecer. Agostini retornou então ao Rio de Janeiro com a filha, que mais tarde se tornaria pintora.
Em sua volta ao Brasil, Agostini fundou a revista Don Quixote (1895-1906) e trabalhou na revista O Tico Tico, retomando o personagem Zé Caipora, que teria suas história publicadas até dezembro de 1906. Trabalhou ainda em O Malho e na Gazeta de Notícias, entre outros.
Seu nome serviu de inspiração ao Prêmio Angelo Agostini, concedido anualmente pela Associação de Quadrinistas e Caricaturistas de São Paulo aos melhores do ramo e para a criação do Dia do Quadrinho Nacional, comemorado em 30 de janeiro, data de seu falecimento em 1910 no Rio de Janeiro.
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| Cartaz 27º Prêmio Angelo Agostini |
Fonte: Wikipédia
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